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Eu quero muito voltar a escrever aqui, mas não quero terminar de ler o livro que estou lendo!

O que fazer? Rs.

Sobre a ausência

Olha, vou falar a vocês… Não existe nada mais desestimulante para mim do que vivenciar uma safra de leituras que me desmotivam.

Não suporto escrever sobre livros que não me fizeram prender a respiração porque não gosto de desmerecer o trabalho dos outros sendo que o problema pode estar exatamente em mim, não no outro.

Entendo que quando a gente não fala bem, atrapalha muito o esforço de outra pessoa (ninguém é obrigado a falar bem, antes que a patrulha ranzinza venha me trucidar! eu, inclusive.), mas falar mal é outra história: você não apenas atrapalha, detona o trabalho do outro (e muitas vezes sem razão).

Isso vale para as mais diversas vertentes de trabalho e eu aplico isso diariamente na minha vida, me policiando para não atrapalhar os outros, especialmente no que tange à cultura.

Vivencio a luta que é produzir cultura no Brasil e me sinto na obrigação de honrar aqueles que têm como norte da vida a arte e o entretenimento, por isso prefiro me ausentar daqui a dizer que eu não gostei desse ou daquele livro, porque sei bem que posso influenciar a opinião de outras pessoas (isso acontece com todo mundo, em todas as áreas, hein?).

E não quero o peso dessa responsabilidade comigo.

Ainda tem um outro porém.

O último livro que li foi “O crime do restaurante chinês”, de Boris Fausto.

É um livro maravilhoso e até recomendo ele para outras pessoas porém, como a minha área me dá uma determinada visão sobre o livro, achei que seria chatíssimo para quem não é jurista ler sobre o princípio da verdade real no direito processual penal aplicado ao tema do livro.

Não dá pra ficar discorrendo sobre processo penal aqui, né? Até porque essa é, de longe (juntamente com Direito Trabalhista), a minha área do Direito de menor conhecimento.

De qualquer maneira, leia ele. É bom pra lhe fazer pensar duas vezes em quem votará no dia 31/10.

“No final, as torturas que haviam dilacerado as Lisbon apontavam para uma recusa simples e lógica de aceitar o mundo como lhes era oferecido, tão cheio de falhas.

Mas isso aconteceu depois. Imediatamente após os suicídios, quando o nosso subúrbio se deleitava com a sua fugaz infâmia, o assunto das Lisbon tornou-se quase tabu” (P. 203).

Eu sou obcecada por cinema. E eu também sou obcecada pela família Coppola. Assim, a partir do momento em que soube que o filme “As Virgens Suicidas” era originado de um livro, eu fui, com sangue no olho (baianês, bien sûr!), em busca do tal livro que fez Sofia estrear no cinema com uma qualidade indiscutível.

Aí é que é bom deixar claro aos que não conhecem a história do livro ou do filme, esse não é um romance trágico. Muito pelo contrário. Nem se a gente colocar uma lente de aumento, a gente vai ver tragédia (ela pura e simples). O máximo que vemos é um romance tragicômico. Mas nem sempre.

A história do livro conta a vida breve das cinco garotas Lisbon: todas têm a mesma vida intensamente podada pelos pais, mas isso não é um indicativo óbvio do suicídio.

É que o (s)  motivo (s) do fim da vida das meninas não é explicado no livro. A história é contada por um narrador que não se sabe o nome, mas ele não é onisciente: ele testemunhou os acontecimentos da mesma maneira que os outros meninos, tão obcecados/apaixonados pelas meninas quanto o narrador.

Os meninos que fazem uma espécie de santuário das Lisbon com uma certa obsessão com a vida das meninas Lisbon e, ainda assim, não conseguem responder às suas dúvidas nem compreender as razões que levaram todas as meninas a darem cabo de suas vidas.

No final das contas, “As Virgens Suicidas” é um livro divertido e que mostra o grande talento de Jeffrey Eugenides e a sua capacidade de construir romances impecáveis, mas não consegue ser mais do que isso. É uma história que prende do início ao fim, mas eu não sei dizer se isso se deu por conta de Sofia Coppola ou se o livro é realmente bem escrito. De qualquer forma, indico ele, por ser uma leitura leve e divertida sem se prender ao esteriótipo de livros idiotas que vemos nas livrarias…

Mais uma vez, o livro foi presente e eu não sei dizer o seu valor. Mas, por ser uma versão de bolso, deve ser bem barato!

“Será que encontraria a casa dos meus antepassados? Que a chave seria a mesma? Eu tentava acreditar nessa história que tinha inventado para mim mesma, nessa história que ainda invento e que é a única capaz de me dar alguma resposta. Nessa história que pode ser a mais descabida, mas também a mais real. Não sei até que ponto é verdadeiro o que vivo agora. Nem mesmo sei se é verdadeira a minha viagem. Parece que quanto mais me aproximo dos fatos, mais me afasto da verdade” (P. 99).

Quando eu ganhei este livro, no meu aniversário, a primeira coisa que ouvi quando o pacote foi desembrulhado é que o livro que eu tinha em mãos era maravilhoso.

Normalmente, quando ouço este tipo de comentário, dito com certo entusiasmo, a minha primeira reação é desconfiar do que estou ouvindo, seja porque aprendi a controlar razoavelmente o ímpeto e a expectativa dos outros, seja porque eu sou um pouco (?) blasé mesmo.

Todavia, devo dizer: o livro que eu estava segurando era realmente maravilhoso!

“A Chave de Casa” foi o livro vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante” e ainda foi finalista no honroso Prêmio Jabuti, que já premiou o excelente “Viva o Povo Brasileiro”, do conterrâneo João Ubaldo Ribeiro.

De acordo com Tatiana Salem Levy, o livro é um romance de “autoficção”. É que, da mesma maneira que a autora, a personagem principal do livro é neta de judeus turcos, nascida em Lisboa, emigrada para o Brasil aos nove meses de idade (eu li em diversos lugares que ela se sente brasileira).

Não sei se as semelhanças param por aqui, mas tive a sensação que não. Da mesma forma que a personagem principal tem necessidade de encontrar o seu lugar no mundo, acredito que esse quase road livro (isso existe? Rs) também faz parte do processo de autoconhecimento e busca pela identidade perdida entre a Turquia, Portugal e o Brasil.

Curiosamente, as únicas personagens que são nomeadas no livro são as que a personagem principal não conhecia ou não ficou íntima, no decorrer da história. Todas aquelas que são diretamente responsáveis por uma parte da alegria e da tristeza da personagem não tem nome, não tem rosto, não tem definição, a não ser pelos olhos: ou são olhos de azeitona (os turcos ou descendentes) ou tem olhos claros. Nem mesmo a personagem principal tem nome.

A minha tendência é não gostar desse (falta de) recurso no romance, mas o livro é tão bom, tão bem escrito, tão maduro, tão seguro, tão maravilhoso de se ler que eu não consegui me prender a isso para deixar de ler o que Tatiana Salem Levy estava me contando.

Recomendo o livro no seu mais alto grau. Isso sim é literatura feminina.

O meu livro foi presente; não sei o seu valor, mas caro não deve ser.

“O bem sem o mal é tão pouco adequado ao homem que o mal sem o bem” (P. 259).

“Às vezes tenho saudade do Ulisses que aprendeu com Wenzel Strapinski as astúcias e mentiras de um impostor, que partiu impacientemente em direção à vida, procurou por aventuras e as superou, conquistou minha mãe com seu charme, escreveu com prazer ‘Leituras leves e divertidas’ e inventou teorias com uma facilidade quase lúdica. Mas eu sei que essa não é uma saudade de Johann Debauer ou de John de Baur. É apenas uma saudade de uma imagem que fiz de meu pai e que está impregnada em meu coração” (P. 366 e 367).

Se é possível que exista um livro de Bernhard Schlink que seja, para mim, ainda melhor (com toda a carga que essa palavra traz) que “O Leitor”, este livro, com certeza, é “A Volta Para Casa”.

O livro trata da investigação de Peter Debauer (Graf, Bindinger…) que se transforma na grande busca de sua vida, uma odisséia real.

Explico: Peter, personagem principal, desobedece a ordem de seus avós ao ler o manuscrito de um romance e, por estar sem o final da história em mãos, vai atrás do desfecho.

Assim é que, curioso acerca do final da história de retorno do soldado alemão Karl depois da fuga da Sibéria durante o fim da Segunda Guerra Mundial, ele vai trilhando o caminho desse soldade para descobrir o fim do romance e, sem saber, acaba respondendo às questões de fatos de sua vida que ele sempre se perguntou, encontrou a mulher amada e passou a entender o quanto desastrosa pode ser a realidade em razão das expectativas que colocamos nela.

À medida que fui avançando no livro eu pude confirmar o quão maravilhoso Bernhard Schlink é e o quanto ele me atinge: como bom professor de direito e, especialmente, filosofia, ele não me mostrou diretamente em nenhum momento o que pensava ou entendia sobre qualquer assunto: ele simplesmente permitiu, com suas palavras, que as questões surgissem e que eu buscasse em mim as respostas delas para depois chegar às conclusões, assim como fez Peter Debauer.

Se eu tivesse que definir este livro em poucas palavras, seriam, com certeza, estas: brilhante, perturbador e esclarecedor.

Adoraria ver este filme como um típico filme alemão, maravilhoso e perturbador, como “A Vida dos Outros” ou “A Onda”, mas não tenho muitas esperanças que isso aconteça.

A minha única lamentação quanto ao livro é não conhecer ninguém que tenha lido ou que estivesse lendo na mesma época que eu para poder comentar sobre ele, como num clube de leitura.

Compra-se o livro por R$ 39,90.

Comecei a ler “O Código da Vida” no mesmo dia que terminei “Alice”. E, desde o primeiro parágrafo, eu me encantei pela história que ia lendo…

Trata-se de uma autobiografia (e, como eu disse antes aqui, sempre gostei de ler biografias, em especial quando o biografado é o autor do livro), mas esse livro tem a narrativa inteiramente diferente das outras biografias que eu já li: a princípio o autor escreve a sua história não linearmente e, ainda, não conta diretamente sobre a sua vida.

É que Saulo Ramos preferiu seguir um caminho tortuoso na hora de escrever o seu livro: ele conta sobre a sua vida de maneira de maneira indireta, tecendo comentários e contando fatos marcantes da história do país, especialmente, do universo jurídico, tendo como base para o livro um dos muitos casos marcantes em que trabalhou.

São muitas as histórias, muitos os segredos revelados e muitas curiosidades contadas, em especial, para os juristas que torna este livro imperdível!

Não sei dizer se não houve uma dose de exagero na narrativa (eu mesma costumo falar que, ao contar uma história, se a gente não exagerar não tem graça nenhuma, rs) e, em sendo advogado, as chances de teatralizar as experiências é deveras grande (experiência própria novamente, rs) mas, de qualquer maneira, é um livro estupendo, que instiga o amor pela advovacia, daqueles que lemos e ficamos insistindo para os nossos amigos lerem também.

Se você gosta de história do Brasil, não perca; se você é advogado (a)/juiz (íza)/estudante/etc., você tem verdadeira obrigação de ler, assim como tem que saber o artigo 5º da CF.

Compra-se o livro por, mais ou menos, R$ 45.

Eu fiz uma pequena cirurgia na mão esses dias e, por isso, fui impedida de trabalhar; assim, para não cair no tédio total, fiz umas pequenas compras, tais como o livro que estou comentando agora e alguns dvds para passar o tempo.

Eu li Alice sem maiores pretensões e confesso que comprei essa edição do livro mais pelas ilustrações maravilhosas de Luiz Zerbini do que pela história em si, já que eu já havia lido o livro quando criança e, mesmo que não tivesse lido, já sabia da história fantástica e das aventuras surreais vividas pela personagem que dá título ao livro.

Quando se lê um livro como esse, acredito que a gente deve se despir de quaisquer julgamentos, ideais lógicos ou pensamentos estritamente racionais.

Acredito que não há mais nada a se tratar do livro, a não ser dizer: leia, leia, leia. É incrivelmente bem escrito e muito muito muito bom.

Apenas um pequeno aviso: para quem não sabe, o filme de Tim Burton que estreou na semana passada é uma mistura desse livro com o outro de Lewis Carroll, “Alice através do espelho”…

Eu comprei o meu por R$ 45.

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