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Archive for maio \25\UTC 2009

Está sendo extremamente dificultoso conseguir traduzir as minhas sensações deste livro: primeiro porque são muitos detalhes que compõem a história; segundo porque foram muitas, muitas sensações!

Eu ri, me indignei, chorei, me emocionei, me identifiquei com a história contada no livro. Aliás, a história não: as histórias.

Resumidamente, foram escritas histórias de 1791, 1941 e dos anos 2000. Foram, incontáveis as personagens, mas, as principais foram 4 (de 1971), 3 (de 1941) e 3 (dos anos 2000).

Não existe nenhuma parte mais intressante que a outra, assim como não há nenhuma personagem melhor que outra, apesar, é claro, do leitor desenvolver a sua predileção.

O livro nasceu da necessidade de Jonathan (ou Jon-fen, rs) percorrer o caminho trilhado pela sua família na Ucrânia, até chegar o momento que ela se transforma em refugiada da II Guerra Mundial.

Para isso, ele contrata uma agência de turismo especializada em trazer os judeus que querem conhecer as suas origens ucranianas. É aí que ele conhecer Alex (ou Sasha) e o seu avô, também Alex.

A história da família de Jonathan começa com Brod, a mãe da mãe da mãe de sua tataravó. Ela perdeu a sua família e teve que recomeçar tudo quando foi adotada por Yankel. Por motivos não explícitos no livro (ou seja, cabem diversas interpretações), ela era uma pessoa incapaz de amar e isso se tornava uma forma de amor, que guiou a sua vida e que transformou todo o shtetl.

A segunda parte da história é a vida na Ucrânia do avô de Jonathan: ele conta os seus amores, descobre coisas na viagem e, especialmente, conhece o seu avô, que ele não teve oportunidade de fazer quando este era vivo. Apesar disso, eles são muito conectados.

A terceira parte do livro que diz respeito ao Jonathan é aviagem à Ucrânia propriamente dita (só que contada por Alexander Perchov, o Alex ou Sasha).

No que concerne Alex-avô, eu acho que ele foi a personagem que eu mais gostei. Ele inicia no livro de forma silenciosa e você acha que até vai odiar ele, que é preconceituoso e grosseiro. No fim das contas, percebe-se, que ele está apenas cheio de defesas e escudos, assim como o seu neto, Alex.

Ambos vão se desarmando no decorrer da história, cada um desamarrando um nó que fazia o entrave entre a verdade e o relacionamento deles dois e de cada um com o resto do mundo.

As vivências dos dois e entre os dois vão se explicando e amolecendo, e o leitor passa a se afetuar aos dois, aprendendo com eles e se previnindo, para não criar uma casca grosseira e impenetrável como ambos possuíam antes da viagem com Jonathan.

Sem dúvida, esse é um dos melhores livros que já li. Lindo, lindo, lindo.

O livro transformou-se em filme pelas mãos de Liev Schreiber e teve Elijah Wood e Eugene Hutz (do Gogol Bordelo) no elenco.

O livro é encontrado facilmente e o seu preço médio é de R$ 55.

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{Post especialmente dedicado aos meus pais}

Eu gosto bastante de biografias (especialmente as autobiografias). Acho que, mesmo sendo escondidos alguns fatos mais obscuros da vida da personagem, são sempre ótimas oportunidades de aprender a partir da experiência do outro.

E com o livro de Corinne não poderia ser diferente.

A autora é uma empresária de sucesso da Suíça que conta, no livro, a história que viveu durante, aproximandamente, cinco anos no Quênia. Sinceramente, não sei se teria a mesma força e desenvoltura que ela teve no período descrito no livro!

Entre o final da década de 80 e o início da década de 90 ela viveu numa tribo Massai, ultrapassando as barreiras da língua, da (falta de) alimentação, da cultura e da tolerância para vivenciar um amor impressionante…

Ela conta, de uma forma leve e muito real, tudo o que passou ao lado de Lketinga, o guerreiro que a fez mudar de vida e possibilitou que ela vivenciasse uma experiência única, completamente inigualável.

É uma leitura branda e, ao mesmo tempo densa e enriquecedora, que toca profundamente todos que leem (virou best seller na minha família!) e inspira grande força e determinação.

Foi transformado em filme (fraquinho) e tem Nina Ross e Jacky Ido como Corinne e Lketing.

Não se encontra o livro tão facilmente, mas ele é vendido pelo preço médio de R$ 50.

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“Aquilo que não tem nome, é isso que nós somos”.

O livro comentado esta semana é “Ensaio sobre a cegueira”, escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel José Saramago.

Cada livro que se lê marca uma mudança de pontos de vista no tocante à nossa vida mas, “Ensaio sobre a cegueira”, com certeza, mudou, drasticamente, a minha visão do mundo: nunca li um livro que demonstra, tão fidedignamente, a natureza e instintos humanos.

O livro despiu o homem demonstrando quais são as suas reais necessidades básicas, rememorando aquilo que insistimos em esquecer: nós não precisamos de quase nada para viver!

Além desse aspecto, é importante notar que a ausência de nomeação das personagens tem um grande efeito sobre o leitor: nós não temos a chance de nos afetuarmos à elas, nos mantemos distante delas porque as trransformamos em coisas, vez que nem elas permanecem conscientes de suas identidades.

É válido notar este detalhe porque é justamente desta maneira que nos permitimos nos identificar com as pessoas do livro: através do anonimato, inseridos em nossa zona de conforto e sem que ninguém mais saiba quais são as nossas verdadeiras raízes.

Outra questão instigante é a seguinte: o fato da pessoa assassinar um outrofaz dela uma homicida? E quando os nossos institntos mais primitivos são aflorados (como disse certa vez Roberto Jeferson)? A vingança e a necessidade de fazer parar uma situação insuportável?

Dia desses eu ouvi no rádio que um homem apelidado Robin Hood foi preso em Brasília (DF) (são vários os casos) porque saqueou um supermercado e distribuiu os alimentos saqueados numa invasão situada na região Estrutural.

Não obstante eu compreender a necessidade de se proteger a propriedade privada e, e, razão da quantidade de mercadorias, este não ser considerado um furto famélico, até que ponto é possível classificá-lo como criminoso (apenas no tocante a este fato)?

Tenho minhas dúvidas acerca da culpabilidade deste rapaz…

Retomando o assunto central do post, uma passagem muito interessante do livro que foi demonstrada ao leitor com as falas do narrador, no filme (de Fernando Meireles) nós temos uma idéia ainda melhor: o auto-intitulado Rei da Terceira Camarata foi transposta para o cinema através de atos e palavras, como que para facilitar e agilizar rapidamente a absorção da questão: não é porque todos se tornaram cegos é que são bons.

A falta de saúde física não provoca a instantânea bondade e solidariedade humanos, diz Saramago.

Me chamou a atenção, também, a responsabilidade que toma para si a Mulher do Médico, por ser a única que não perde a visão. Ela se sente na obrigação de cuidar dos outros, como se por eles enxergasse. Ao mesmo tempo, ela sente culpada por ter olhos úteis enquanto todos os outros de seu país já não podem ver nada além do branco.

A intenção do autor, acredito eu, foi justamente demonstrar que nós temos, sim, responsabilidades diante de nossos atos e dos outros, já que a vida depende de todos e de cada um, em específico.

Então, diante de tantas gripes suínas, dengues, meningites e outras doenças avassaladoras, é impossível não se transportar para as páginas do romance português, e não sentir, mesmo que aravés de disfarces, um medo muito grande de ser um livro premonitório.

Como mencionado acima, o livro virou filme pelas mãos de Fernando Meireles, tendo no elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael García Bernal.

O livro está à venda em todas as livrarias e o seu preço varia entre R$ 30 e R$ 45.

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“A verdade do que se conta está no modo como se é”...

A minha primeira sensação ao ler esse livro (eu vi o filme antes, eu prefiro) é que não se trata de uma história de amor. Primeiro de tudo eu percebi que se trata de uma maneira desesperada de seduzir o leitor para que se possa auxiliar o narrador a exorcizar as suas culpas.

No final das contas, a gente percebe: as culpas sempre estiveram, estão ou estarão lá, mas, de maneira alguma, serão imutáveis ou não irão variar, ao longo da narrativa (e de nossas vidas, pode-se dizer), o seu grau de complexidade.

É impressionante a maneira que Bernhard Schlink demonstra que os questionamentos de Michael Berg poderia ser de qualquer um, mesmo aqueles que não são juristas!

A questão que mais me chamou atenção no livro foi a maneira como o alemão não judeu é retratado: aquele que não participou da guerra, que não tem qualquer responsabilidade diante dos acontecimentos inquestionavelmente absurdos que aconteceram deve se sentir culpado pelos seus antecessores na história político-social do país?

Uma vez eu vi uma entrevista, na qual o entrevistado dizia que as gerações 80/90 lutavam, nos anos posteriores à ditadura militar, contra a direita, incansavelmente, sem qualquer razão. Não olhávamos para o futuro, ficávamos somente presos ao passado…

Ora, nós não fomos diretamente afetados! Não sofremos na pele o que nossos antecessores sofreram, tampouco fomos responsáveis pelo seu sofrimento! Lutamos a troco de quê? Qual é a razão de repetirmos padrões?

Voltando ao livro, o narrador mostra o conflito interno que vive: como pode amar alguém que foi responsável por tantas coisas abjetas? Após o seu encontro com Hanna, toda a sua vida foi levada a uma outra estrada daquela previamente traçada, todas as suas atitudes e pensamentos tomaram novo rumo e é interessante ver nele o espelho de nós: vivemos diuturnamente em conflito, com grandes desafios morais e éticos à nossa volta, aguardando uma atitude que possa alterar o foco da questão.

Além disso, vemos que, apesar de tudo, existe amor. É um amor realista, ciente de si e da realidade que o moldou, nada semelhante às ideias idiotas que alguns veículos de cultura transmitem: o sentimento é problemático, torto e, ainda assim, lhe é permitido permanecer, aguentar o que há de pior no seu contexto.

Me interessei também pelas pesquisas do narrador (seriam elas próprias de Bernhard Schlink?) no âmbito do direito, especialmente no tocante aos artigos do código penal, interessante notar o conceito de ordem mundial que deve ser sempre zelada, como se já estivéssemos em ordem antes do fato delituoso.

Recomendo a leitura.

Foi transformado em filme pelo diretor Stephen Daldry e teve como atores principais Kate Winslet (ganhou o Oscar pelo papel), Ralph Fiennes e David Kross.

O livro está à venda em todas as livrarias e o seu preço médio é de R$ 25.

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Obrigada!

Antes de começar a escrever, devo agradecer a brilhante ideia e encorajamento de minha amada amiga Gabriela, afinal, sem o seu apoio e suas palavras, eu não estaria escrevendo aqui.

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