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Posts Tagged ‘brasileiro’

Olha, vou falar a vocês… Não existe nada mais desestimulante para mim do que vivenciar uma safra de leituras que me desmotivam.

Não suporto escrever sobre livros que não me fizeram prender a respiração porque não gosto de desmerecer o trabalho dos outros sendo que o problema pode estar exatamente em mim, não no outro.

Entendo que quando a gente não fala bem, atrapalha muito o esforço de outra pessoa (ninguém é obrigado a falar bem, antes que a patrulha ranzinza venha me trucidar! eu, inclusive.), mas falar mal é outra história: você não apenas atrapalha, detona o trabalho do outro (e muitas vezes sem razão).

Isso vale para as mais diversas vertentes de trabalho e eu aplico isso diariamente na minha vida, me policiando para não atrapalhar os outros, especialmente no que tange à cultura.

Vivencio a luta que é produzir cultura no Brasil e me sinto na obrigação de honrar aqueles que têm como norte da vida a arte e o entretenimento, por isso prefiro me ausentar daqui a dizer que eu não gostei desse ou daquele livro, porque sei bem que posso influenciar a opinião de outras pessoas (isso acontece com todo mundo, em todas as áreas, hein?).

E não quero o peso dessa responsabilidade comigo.

Ainda tem um outro porém.

O último livro que li foi “O crime do restaurante chinês”, de Boris Fausto.

É um livro maravilhoso e até recomendo ele para outras pessoas porém, como a minha área me dá uma determinada visão sobre o livro, achei que seria chatíssimo para quem não é jurista ler sobre o princípio da verdade real no direito processual penal aplicado ao tema do livro.

Não dá pra ficar discorrendo sobre processo penal aqui, né? Até porque essa é, de longe (juntamente com Direito Trabalhista), a minha área do Direito de menor conhecimento.

De qualquer maneira, leia ele. É bom pra lhe fazer pensar duas vezes em quem votará no dia 31/10.

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“Será que encontraria a casa dos meus antepassados? Que a chave seria a mesma? Eu tentava acreditar nessa história que tinha inventado para mim mesma, nessa história que ainda invento e que é a única capaz de me dar alguma resposta. Nessa história que pode ser a mais descabida, mas também a mais real. Não sei até que ponto é verdadeiro o que vivo agora. Nem mesmo sei se é verdadeira a minha viagem. Parece que quanto mais me aproximo dos fatos, mais me afasto da verdade” (P. 99).

Quando eu ganhei este livro, no meu aniversário, a primeira coisa que ouvi quando o pacote foi desembrulhado é que o livro que eu tinha em mãos era maravilhoso.

Normalmente, quando ouço este tipo de comentário, dito com certo entusiasmo, a minha primeira reação é desconfiar do que estou ouvindo, seja porque aprendi a controlar razoavelmente o ímpeto e a expectativa dos outros, seja porque eu sou um pouco (?) blasé mesmo.

Todavia, devo dizer: o livro que eu estava segurando era realmente maravilhoso!

“A Chave de Casa” foi o livro vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante” e ainda foi finalista no honroso Prêmio Jabuti, que já premiou o excelente “Viva o Povo Brasileiro”, do conterrâneo João Ubaldo Ribeiro.

De acordo com Tatiana Salem Levy, o livro é um romance de “autoficção”. É que, da mesma maneira que a autora, a personagem principal do livro é neta de judeus turcos, nascida em Lisboa, emigrada para o Brasil aos nove meses de idade (eu li em diversos lugares que ela se sente brasileira).

Não sei se as semelhanças param por aqui, mas tive a sensação que não. Da mesma forma que a personagem principal tem necessidade de encontrar o seu lugar no mundo, acredito que esse quase road livro (isso existe? Rs) também faz parte do processo de autoconhecimento e busca pela identidade perdida entre a Turquia, Portugal e o Brasil.

Curiosamente, as únicas personagens que são nomeadas no livro são as que a personagem principal não conhecia ou não ficou íntima, no decorrer da história. Todas aquelas que são diretamente responsáveis por uma parte da alegria e da tristeza da personagem não tem nome, não tem rosto, não tem definição, a não ser pelos olhos: ou são olhos de azeitona (os turcos ou descendentes) ou tem olhos claros. Nem mesmo a personagem principal tem nome.

A minha tendência é não gostar desse (falta de) recurso no romance, mas o livro é tão bom, tão bem escrito, tão maduro, tão seguro, tão maravilhoso de se ler que eu não consegui me prender a isso para deixar de ler o que Tatiana Salem Levy estava me contando.

Recomendo o livro no seu mais alto grau. Isso sim é literatura feminina.

O meu livro foi presente; não sei o seu valor, mas caro não deve ser.

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Comecei a ler “O Código da Vida” no mesmo dia que terminei “Alice”. E, desde o primeiro parágrafo, eu me encantei pela história que ia lendo…

Trata-se de uma autobiografia (e, como eu disse antes aqui, sempre gostei de ler biografias, em especial quando o biografado é o autor do livro), mas esse livro tem a narrativa inteiramente diferente das outras biografias que eu já li: a princípio o autor escreve a sua história não linearmente e, ainda, não conta diretamente sobre a sua vida.

É que Saulo Ramos preferiu seguir um caminho tortuoso na hora de escrever o seu livro: ele conta sobre a sua vida de maneira de maneira indireta, tecendo comentários e contando fatos marcantes da história do país, especialmente, do universo jurídico, tendo como base para o livro um dos muitos casos marcantes em que trabalhou.

São muitas as histórias, muitos os segredos revelados e muitas curiosidades contadas, em especial, para os juristas que torna este livro imperdível!

Não sei dizer se não houve uma dose de exagero na narrativa (eu mesma costumo falar que, ao contar uma história, se a gente não exagerar não tem graça nenhuma, rs) e, em sendo advogado, as chances de teatralizar as experiências é deveras grande (experiência própria novamente, rs) mas, de qualquer maneira, é um livro estupendo, que instiga o amor pela advovacia, daqueles que lemos e ficamos insistindo para os nossos amigos lerem também.

Se você gosta de história do Brasil, não perca; se você é advogado (a)/juiz (íza)/estudante/etc., você tem verdadeira obrigação de ler, assim como tem que saber o artigo 5º da CF.

Compra-se o livro por, mais ou menos, R$ 45.

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