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Posts Tagged ‘melancolia’

“No final, as torturas que haviam dilacerado as Lisbon apontavam para uma recusa simples e lógica de aceitar o mundo como lhes era oferecido, tão cheio de falhas.

Mas isso aconteceu depois. Imediatamente após os suicídios, quando o nosso subúrbio se deleitava com a sua fugaz infâmia, o assunto das Lisbon tornou-se quase tabu” (P. 203).

Eu sou obcecada por cinema. E eu também sou obcecada pela família Coppola. Assim, a partir do momento em que soube que o filme “As Virgens Suicidas” era originado de um livro, eu fui, com sangue no olho (baianês, bien sûr!), em busca do tal livro que fez Sofia estrear no cinema com uma qualidade indiscutível.

Aí é que é bom deixar claro aos que não conhecem a história do livro ou do filme, esse não é um romance trágico. Muito pelo contrário. Nem se a gente colocar uma lente de aumento, a gente vai ver tragédia (ela pura e simples). O máximo que vemos é um romance tragicômico. Mas nem sempre.

A história do livro conta a vida breve das cinco garotas Lisbon: todas têm a mesma vida intensamente podada pelos pais, mas isso não é um indicativo óbvio do suicídio.

É que o (s)  motivo (s) do fim da vida das meninas não é explicado no livro. A história é contada por um narrador que não se sabe o nome, mas ele não é onisciente: ele testemunhou os acontecimentos da mesma maneira que os outros meninos, tão obcecados/apaixonados pelas meninas quanto o narrador.

Os meninos que fazem uma espécie de santuário das Lisbon com uma certa obsessão com a vida das meninas Lisbon e, ainda assim, não conseguem responder às suas dúvidas nem compreender as razões que levaram todas as meninas a darem cabo de suas vidas.

No final das contas, “As Virgens Suicidas” é um livro divertido e que mostra o grande talento de Jeffrey Eugenides e a sua capacidade de construir romances impecáveis, mas não consegue ser mais do que isso. É uma história que prende do início ao fim, mas eu não sei dizer se isso se deu por conta de Sofia Coppola ou se o livro é realmente bem escrito. De qualquer forma, indico ele, por ser uma leitura leve e divertida sem se prender ao esteriótipo de livros idiotas que vemos nas livrarias…

Mais uma vez, o livro foi presente e eu não sei dizer o seu valor. Mas, por ser uma versão de bolso, deve ser bem barato!

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“Será que encontraria a casa dos meus antepassados? Que a chave seria a mesma? Eu tentava acreditar nessa história que tinha inventado para mim mesma, nessa história que ainda invento e que é a única capaz de me dar alguma resposta. Nessa história que pode ser a mais descabida, mas também a mais real. Não sei até que ponto é verdadeiro o que vivo agora. Nem mesmo sei se é verdadeira a minha viagem. Parece que quanto mais me aproximo dos fatos, mais me afasto da verdade” (P. 99).

Quando eu ganhei este livro, no meu aniversário, a primeira coisa que ouvi quando o pacote foi desembrulhado é que o livro que eu tinha em mãos era maravilhoso.

Normalmente, quando ouço este tipo de comentário, dito com certo entusiasmo, a minha primeira reação é desconfiar do que estou ouvindo, seja porque aprendi a controlar razoavelmente o ímpeto e a expectativa dos outros, seja porque eu sou um pouco (?) blasé mesmo.

Todavia, devo dizer: o livro que eu estava segurando era realmente maravilhoso!

“A Chave de Casa” foi o livro vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria “Melhor Livro do Ano – Autor Estreante” e ainda foi finalista no honroso Prêmio Jabuti, que já premiou o excelente “Viva o Povo Brasileiro”, do conterrâneo João Ubaldo Ribeiro.

De acordo com Tatiana Salem Levy, o livro é um romance de “autoficção”. É que, da mesma maneira que a autora, a personagem principal do livro é neta de judeus turcos, nascida em Lisboa, emigrada para o Brasil aos nove meses de idade (eu li em diversos lugares que ela se sente brasileira).

Não sei se as semelhanças param por aqui, mas tive a sensação que não. Da mesma forma que a personagem principal tem necessidade de encontrar o seu lugar no mundo, acredito que esse quase road livro (isso existe? Rs) também faz parte do processo de autoconhecimento e busca pela identidade perdida entre a Turquia, Portugal e o Brasil.

Curiosamente, as únicas personagens que são nomeadas no livro são as que a personagem principal não conhecia ou não ficou íntima, no decorrer da história. Todas aquelas que são diretamente responsáveis por uma parte da alegria e da tristeza da personagem não tem nome, não tem rosto, não tem definição, a não ser pelos olhos: ou são olhos de azeitona (os turcos ou descendentes) ou tem olhos claros. Nem mesmo a personagem principal tem nome.

A minha tendência é não gostar desse (falta de) recurso no romance, mas o livro é tão bom, tão bem escrito, tão maduro, tão seguro, tão maravilhoso de se ler que eu não consegui me prender a isso para deixar de ler o que Tatiana Salem Levy estava me contando.

Recomendo o livro no seu mais alto grau. Isso sim é literatura feminina.

O meu livro foi presente; não sei o seu valor, mas caro não deve ser.

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Eu descobri este autor em um blog de culinária no qual a autora, Fabrícia, é, pelo que percebi, grande estusiasta da obra do moçambicano: na maioria (se não for em todas) das fotos postadas há uma legenda com frase de Mia Couto.

Fui me interessando e busquei a sua obra. Comecei pelo seu mais recente trabalho; que ele, inclusive, veio lançar na FLIP.

Bem, o que eu preciso dizer inicialmente que eu adoro textos metafóricos, frases com muitas imagens e idiossincrasias. E Mia Couto escreve exatamente assim: o seu livro é posia em forma de prosa, como podemos observar das duas frases que mais me chamaram a atenção: “O silêncio é música em estado de gravidez” ou “Sentir raiva é outra forma de chorar”.

Suas personagens são muito bem construídas e a história é contada por Mwanito (personagem principal cujas sensibilidade e delicadeza me lembraram muito um amigo meu), que conta a história da sua infância à fase adulta e é conhecido – ou rotulado – como “afinador de silêncios”.

A história contada é dividida em três livros: A humanidade; A visita; e Revelações e Regressos.

Basicamente, o livro conta a história de um pai (Mateus Ventura/Silvestre Vitalício) que, após a morte de sua esposa, Dordalma, vai-se embora do mundo levando seus dois filhos (Olindo Ventura/Ntunzi e Mwanito), um ajudante (Ernestinho Sobra/Zacarias Kalash) e, ocasionalmente, o seu cunhado (Orlando Macara e Tio Madrinho/Tio Aproximado) em direção ao interior do país no intuito de esquecer do mundo e de ser esquecido por ele – tanto que rebatizou todas as pessoas, à exceção de Mwanito, que foi para Jerusalém, o novo planeta deles, bem pequeno.

A trama só demonstra, em dois momentos, que se passa no período contemporâneo: a inscrição das palavras “internet” e “telemóvel” (o livro é vendido no Brasil com a língua portuguesa original, como nos livros de Saramago). Acaso não tivessem sido escritas, poderíamos ter certeza de que a história não é datada, completamente atemporal.

Após a morte de Dordalma, nenhuma das personagens se despediu da defunta, não passaram pelo saudável período de luto: segundo Mia Couto em entrevistas pré-FLIP, isto é caracterizador do seu povo, tendo em vista que faz-se a opção (em todos os aspectos) de voltar ao passado para curar feridas, ou simplesmente fingir que estas não existem.

O livro é de uma sensibilidade perturbadora e é muito bem escrito: eu amo ainda Mwanito, e apesar de ter odiado por grande parte do livro o seu pai e ter querido matá-lo diversas vezes, eu não consegui me separar do livro.

Indico a leitura àqueles que gostam de textos metafóricos e têm amor às temáticas melancólicas e lindas, como eu.

O livro é encontrado nas livrarias por R$ 42.

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{Obrigada, Gaby, pelo livro! Eu amei meu presente de aniversário!}

Ao me verem com o livro de Somerset Maugham na mão, duas de minhas tias começaram a falar de um outro livro do mesmo autor, “O fio da navalha” e também a comentar sobre um dos filmes que originou-se de “O véu pintado” (até agora foram 2 filmes), que aqui no Brasil ganhou o infame nome de “O despertar de uma paixão”.

Então, comecei a pesquisar sobre ele e a sua maneira de escrever e, como me é peculiar, fui rememorando o filme e pensando: “ah, mas é apenas mais um romance, uma história de amor, é melhor não criar expectativas” e inventei de criar a expectativa de não criar expectativa.

Só que, mais uma vez, eu me enganei (esta deve ser a frase mais escrita deste blog!). Encontrei no autor aquilo que pode se aproximar do narrador perfeito: nem lacônico como Bernhard Schlink, nem excessivamente prolixo como J. R. R. Tolkien.

Assim, mesmo que eu não tivesse visto “O despertar da paixão” eu iriaa ser transportada para o magnífico e misterioso interior da China nos anos de 1920; ou saberia como era a princesa manchu; ou como era apresentada a cólera àquela época.

Talvez, até, eu esteja fazendo uma injustiça com o livro: pensando bem, as imagens do filme não são tão bem feitas como no livro porque há carência de detalhes.

O livro conta a seguinte situação: uma mulher, Kitty, se casa rápida a e convenientemente com Walter, bacteriologista que trabalha para o governo inglês na China. Entediada com o casamento, tem um caso extraconjugal e o marido, ao descobrir, vinga-se voluntariando-se para trabalhar numa vila no interior da China em que acontece um surto de cólera.

Acredito que se trata, na verdade, muito mais de uma jornada de autoconhecimento de uma mulher do que a história de um casal, a distância que pode haver entre eles ou a falta de amor dos dois.

Acredito que o livro não é atual, mas pode tornar-se se o leitor transpuser as barreiras de padrões e comportamentos sociais para situar apenas os sentimentos das personagens à nossa época.

O livro é encontrado nas livrarias pelo preço médio de R$ 35.

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Dos escritores que eu tenho lido e buscado com freqüência, Bernhard Schlink é, com certeza, o que eu mais adoro e venero.

Ele sabe usar as palavras corretas e precisas, escreve diretamente e não tenta ludibriar o leitor com palavras rebuscadas para encher o texto.

Sinto um pouco falta de alguma descrição mais detalhada, mas isso ele deixa para quem está com o livro na mão: percebi que para Schlink, o que importa mesmo são as coisas não ditas. E é exatamente assim que ele me deixa: vazia, sem palavras, com pensamentos inconstantes e confusos. E eu adoro!

Devoro sempre os livros dele e foi engraçado dessa vez que a lentidão em que li “O hobbit” foi inversamente proporcional à velocidade qual eu li “O outro”: apenas duas horas! Rs

Assim como em “O leitor”, ele vai direto ao ponto em “O outro”: trata-se da história de um viúvo e conta a maneira como ele encontrou para exorcizar as lembranças ruins de sua mulher e manter as lembranças que ele queria dela,  que foi morta pelo câncer.

É um livro lindo, que sensibiliza um austero funcionário de um ministério alemão e que se vê perdido, após a aposentadoria, depois que perde a mulher e não tem mais como ocupar o seu tempo, até que ele vê, em sua caixa de correio, uma correspondência endereçada à sua falecida mulher.

Bengt fica intrigado em como deixou passar, sem nada perceber, a possível traição de sua mulher e busca, incessantemente respostas a fim de não macular a imagem divinal que possuía de Lisa.

Nessa sua pesquisa, ele descobre, então, uma mulher que não conhecia, uma pessoa possuidora de alegria contagiante e que ele, reconhece, não percebeu nos anos de casamento… E fica tão curioso sobre o que vai descobrindo que resolve ir em busca d’O outro.

Este livro foi transformado em filme em 2008 e, estranhamente, ainda não chegou no Brasil. Tem Antonio Banderas, Laura Linney e Liam Neeson.

O livro é encontrado facilmente nas livrarias pelo valor médio de R$ 17.

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“Esta noite papai ficou sentado comigo. Trouxe o acordeão cá pra baixo e se sentou perto de onde o Max costumava sentar. (…) O acordeão respira. (…) Às vezes acho que meu pai é um acordeão. Quando ele olha para mim, sorri e respira, eu escuto as notas”.

A cada livro que leio, filme que vejo ou música que escuto eu me convenço um pouco mais do quanto eu estou certa: de fato, beleza e tristeza são amigas bem próximas, loucas para se fundir numa só, de tanto que se gostam.

Devo confessar que quando foi lançado esse livro eu não quis nem chegar perto, mesmo tendo ouvido ótimas opiniões sobre ele (Sol!): lista de best sellers geralmente me enojam e me afastam destes livros. Maaas, como foi um dos meus presentes de aniversário… Ah, como me arrependo de não ter lido antes!

Primeiro de tudo, ignore, como foco principal, que esta é uma história que se passa no período da Segunda Guerra Mundial.

A narradora é a Morte, e ela narra de uma maneira muito peculiar (eu nunca tinha visto isto num livro): ela vai adiantando a história, tem pressa que o leitor saiba logo do que vai acontecer.

Ainda sobre o primeiro foco do livro: a menina Liesel é tão bem construída por Marcus Zusak que vai ser disputada à tapas pelas melhores atrizes (espero que alemãs, e não americanas). As mudanças que acontecem com ela ora são bruscas, ora são sutis e é impossível não se apaixonar por ela nem pelo seu modo de pensar e de ver a vida.

Existem, ainda, as personagens secundárias, que ajudam muito a compor essa delicada história: o pai de olhos prateados, a mãe de corpo de guarda-roupa, Rudy de cabelos cor de limão, Max de cabelos de plumas, as inúmeras Fraus da Rua Himmel e, claro, o Fürher plantador de árvores de símbolos e sementes de palavras, e aqueles que colheram os frutos disso.

A história começa com o encontro da Morte (a narradora!) com Liesel quando o seu irmão morre. Ela estava sendo levada para adoção e conheceu, então a Rua Himmel, os seus moradores, desenvolveu dons, viveu aventuras infantis, aprendeu a ler, dominou as palavras, apreciou música, levou gritos e mais gritos, correu, se apaixonou, escondeu o “inimigo”, sofreu e fez o melhor sabia: encantou o leitor.

Acredito que este livro é leitura obrigatória e não mudaria uma vírgula sequer dele.

Mal posso esperar pelo filme.

O livro é encontrado facilmente e o seu preço médio é de R$ 15.

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Está sendo extremamente dificultoso conseguir traduzir as minhas sensações deste livro: primeiro porque são muitos detalhes que compõem a história; segundo porque foram muitas, muitas sensações!

Eu ri, me indignei, chorei, me emocionei, me identifiquei com a história contada no livro. Aliás, a história não: as histórias.

Resumidamente, foram escritas histórias de 1791, 1941 e dos anos 2000. Foram, incontáveis as personagens, mas, as principais foram 4 (de 1971), 3 (de 1941) e 3 (dos anos 2000).

Não existe nenhuma parte mais intressante que a outra, assim como não há nenhuma personagem melhor que outra, apesar, é claro, do leitor desenvolver a sua predileção.

O livro nasceu da necessidade de Jonathan (ou Jon-fen, rs) percorrer o caminho trilhado pela sua família na Ucrânia, até chegar o momento que ela se transforma em refugiada da II Guerra Mundial.

Para isso, ele contrata uma agência de turismo especializada em trazer os judeus que querem conhecer as suas origens ucranianas. É aí que ele conhecer Alex (ou Sasha) e o seu avô, também Alex.

A história da família de Jonathan começa com Brod, a mãe da mãe da mãe de sua tataravó. Ela perdeu a sua família e teve que recomeçar tudo quando foi adotada por Yankel. Por motivos não explícitos no livro (ou seja, cabem diversas interpretações), ela era uma pessoa incapaz de amar e isso se tornava uma forma de amor, que guiou a sua vida e que transformou todo o shtetl.

A segunda parte da história é a vida na Ucrânia do avô de Jonathan: ele conta os seus amores, descobre coisas na viagem e, especialmente, conhece o seu avô, que ele não teve oportunidade de fazer quando este era vivo. Apesar disso, eles são muito conectados.

A terceira parte do livro que diz respeito ao Jonathan é aviagem à Ucrânia propriamente dita (só que contada por Alexander Perchov, o Alex ou Sasha).

No que concerne Alex-avô, eu acho que ele foi a personagem que eu mais gostei. Ele inicia no livro de forma silenciosa e você acha que até vai odiar ele, que é preconceituoso e grosseiro. No fim das contas, percebe-se, que ele está apenas cheio de defesas e escudos, assim como o seu neto, Alex.

Ambos vão se desarmando no decorrer da história, cada um desamarrando um nó que fazia o entrave entre a verdade e o relacionamento deles dois e de cada um com o resto do mundo.

As vivências dos dois e entre os dois vão se explicando e amolecendo, e o leitor passa a se afetuar aos dois, aprendendo com eles e se previnindo, para não criar uma casca grosseira e impenetrável como ambos possuíam antes da viagem com Jonathan.

Sem dúvida, esse é um dos melhores livros que já li. Lindo, lindo, lindo.

O livro transformou-se em filme pelas mãos de Liev Schreiber e teve Elijah Wood e Eugene Hutz (do Gogol Bordelo) no elenco.

O livro é encontrado facilmente e o seu preço médio é de R$ 55.

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