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Posts Tagged ‘Michel Foucault’

Decidi fazer uma nova série de posts: escrever aqui não só sobre livros, mas também sobre situções/notícias que eu sei que renderiam uma boa história/romance. Mais uma vez, inspirada por ela.

Não sei qual será a sua freqüencia, nem irei colocar prazos para isso, eu já convivo muito com eles. Só sei que servirão para todos aqueles (me incluo!) que buscam inspiração para escrever, seja o que for, baseando-se nas situações absurdas/cômicas/trágicas/etc. que a gente vê pela vida.

Começo essa nova série com uma notícia que li há alguns dias e que me deixou estarrecida.

Lembrei das aulas de sociologia jurídica, lembrei dos livros de Saramago e de Vargas Llosa que li, de Bernhard Schlink, de Michel Foucault, de alguns filmes que me marcaram, de idéias que já passaram pela minha cabeça.

Mas, por algum motivo, talvez em razão da escrita característica, liguei o fato à uma situação que poderia ser facilmente descrita n’um livro de Saramago.

O fato aconteceu no interior da Bahia. Eis a situação: um homem separa-se de sua esposa, com quem tinha um filho. Não existe (ainda) a divulgação do porquê do crime, apenas se sabe que ele, assassino confesso, “começou a agredir a mulher, mas ela correu para o banheiro com a criança e ele acabou matando os dois, batendo a cabeça na parede”.

A situação descrita acima nem seria tão louca assim, dadas as atuais conjunturas nacionais/mundiais, mas a reação da população do vilarejo mostrou a falácia do sistema penal brasileiro.

Enlouquecidamente o povo invadiu o hospital no qual se encontrava, arrastou o homem de lá de dentro, espancou, apedrejou e queimou ele vivo no meio da rua.

Eu não me apiedei do assassino-que-se-tornou-vítima, mas acredito que a reação do povo mostra o quanto nós ainda podemos ser monstruosos e primitivos.

Tanto se fala em justiça divina (especialmente nos interiores dos estados, quanto mais na Bahia), mas na hora em que pode-se comprovar a fé das pessoas, simplesmente agem os homens como se estivessem acima de qualquer outro, atacando uns aos outros como se fossem o sinal maravilhoso da perfeição.

É incrível o quanto não conseguimos espiar a gente e só olhamos para o lado de fora; o quanto deveríamos silenciar e ouvir o que a nossa mente tem a dizer. Como eu sinto pelo povo brasileiro que não tem cultura, educação e noção de planeta.

Não deveríamos esquecer que somos todos um.

A notícia é essa aqui. Boa inspiração para todos!

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