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Posts Tagged ‘português’

“Aquilo que não tem nome, é isso que nós somos”.

O livro comentado esta semana é “Ensaio sobre a cegueira”, escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel José Saramago.

Cada livro que se lê marca uma mudança de pontos de vista no tocante à nossa vida mas, “Ensaio sobre a cegueira”, com certeza, mudou, drasticamente, a minha visão do mundo: nunca li um livro que demonstra, tão fidedignamente, a natureza e instintos humanos.

O livro despiu o homem demonstrando quais são as suas reais necessidades básicas, rememorando aquilo que insistimos em esquecer: nós não precisamos de quase nada para viver!

Além desse aspecto, é importante notar que a ausência de nomeação das personagens tem um grande efeito sobre o leitor: nós não temos a chance de nos afetuarmos à elas, nos mantemos distante delas porque as trransformamos em coisas, vez que nem elas permanecem conscientes de suas identidades.

É válido notar este detalhe porque é justamente desta maneira que nos permitimos nos identificar com as pessoas do livro: através do anonimato, inseridos em nossa zona de conforto e sem que ninguém mais saiba quais são as nossas verdadeiras raízes.

Outra questão instigante é a seguinte: o fato da pessoa assassinar um outrofaz dela uma homicida? E quando os nossos institntos mais primitivos são aflorados (como disse certa vez Roberto Jeferson)? A vingança e a necessidade de fazer parar uma situação insuportável?

Dia desses eu ouvi no rádio que um homem apelidado Robin Hood foi preso em Brasília (DF) (são vários os casos) porque saqueou um supermercado e distribuiu os alimentos saqueados numa invasão situada na região Estrutural.

Não obstante eu compreender a necessidade de se proteger a propriedade privada e, e, razão da quantidade de mercadorias, este não ser considerado um furto famélico, até que ponto é possível classificá-lo como criminoso (apenas no tocante a este fato)?

Tenho minhas dúvidas acerca da culpabilidade deste rapaz…

Retomando o assunto central do post, uma passagem muito interessante do livro que foi demonstrada ao leitor com as falas do narrador, no filme (de Fernando Meireles) nós temos uma idéia ainda melhor: o auto-intitulado Rei da Terceira Camarata foi transposta para o cinema através de atos e palavras, como que para facilitar e agilizar rapidamente a absorção da questão: não é porque todos se tornaram cegos é que são bons.

A falta de saúde física não provoca a instantânea bondade e solidariedade humanos, diz Saramago.

Me chamou a atenção, também, a responsabilidade que toma para si a Mulher do Médico, por ser a única que não perde a visão. Ela se sente na obrigação de cuidar dos outros, como se por eles enxergasse. Ao mesmo tempo, ela sente culpada por ter olhos úteis enquanto todos os outros de seu país já não podem ver nada além do branco.

A intenção do autor, acredito eu, foi justamente demonstrar que nós temos, sim, responsabilidades diante de nossos atos e dos outros, já que a vida depende de todos e de cada um, em específico.

Então, diante de tantas gripes suínas, dengues, meningites e outras doenças avassaladoras, é impossível não se transportar para as páginas do romance português, e não sentir, mesmo que aravés de disfarces, um medo muito grande de ser um livro premonitório.

Como mencionado acima, o livro virou filme pelas mãos de Fernando Meireles, tendo no elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael García Bernal.

O livro está à venda em todas as livrarias e o seu preço varia entre R$ 30 e R$ 45.

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